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sábado, 30 de outubro de 2021

História de Terror - Noite Infernal



Há muito tempo atrás eu trabalhava em uma agência bancária. Era um ótimo emprego, bom salário e um plano de saúde melhor ainda. Na época eu ainda era solteiro e morava sozinho em um apartamento que ficava próximo da agência.

Certo dia, como de costume eu saí do trabalho, passei pelo meu restaurante favorito, comprei uma marmita e fui para casa. Quando eu cheguei lá, notei algo estranho, não era nada palpável, tudo estava como eu deixei, mas senti uma sensação estranha, como se estivesse entrando na casa de alguém. Eu senti um aroma floral por todos cantos da casa. Agora, quando eu penso bem, era o mesmo cheiro que nós sentimos quando entramos em um cemitério. Um cheiro forte de flores tentando cobrir o cheiro de podridão.

Acho que o meu nariz foi se acostumando com o aroma, logo o cheiro saiu da minha cabeça. Eu fiquei o resto da noite jogando no computador. Por volta da meia noite eu decidi dormir. Liguei a televisão do quarto e fiquei assistindo uma série até pegar no sono.

Assim que eu fechei os olhos e cochilei escutei um barulho vindo da porta. Eu acordei assustado procurando ao redor o que tinha causado o ruído e até me levantei para olhar no corredor. Não encontrei nada errado e voltei para a cama, continuei assistindo televisão e outra vez cochilei, aí eu escutei algo muito mais sinistro. Era o som de uma pessoa tentando falar, arregalei os olhos e quando virei para o lado de onde o som veio eu vi a silhueta de uma pessoa, ou alguma coisa parada na porta do quarto. Imediatamente eu soube que aquilo não era humano, pois a sombra não era sólida.

Eu gritei, girei meu corpo na cama e com um pé fechei a porta do quarto deixando a figura do lado de fora. Em seguida eu levantei e acendi a luz. Com o susto meu sono foi completamente embora e eu fiquei alí aterrorizado sem saber o que fazer, pois eu não tinha nenhuma idéia de como me livrar daquilo. Fiquei alí deitado com a luz acesa, a televisão no fundo me fazendo companhia e com o celular na mão, conversando com amigos pelo whatsapp. Decidi não contar a ninguém sobre o ocorrido porque ninguém acredita nessas coisas e ainda ficam zoando dizendo que somos medrosos.

A noite foi passando e eu continuei trancado no quarto e com o sono cada vez mais pesado, eu já não estava mais aguentando ficar acordado. O relógio marcava quatro e meia da manhã e a vontade de usar o banheiro aumentava a cada minuto, mas eu aguentava firme como um prisioneiro em sua cela. Mas o cansaço é traiçoeiro e eu acabei pegando no sono.

Outra vez fui acordado pelo fantasma e desta vez com um som maligno. Meu coração batia tão rápido e forte que eu achei que aquele seria meu fim. Inocentemente eu pensei que estava seguro trancado no quarto, mas não estava. Notei um leve movimento na cortina que de repente tomou forma e lentamente movia-se em minha direção.

Entrei embaixo da coberta e fiz a única coisa que eu consegui, eu chorei. Eu senti a presença se aproximando da cama, colocando sua mão em mim e arranhando o tecido, tentando puxar a coberta para baixo, desesperado eu segurava forte. Naquele momento eu soube o que é terror verdadeiro.

De uma vez eu senti como se um tivesse tirado um peso das costas, o ambiente voltou ao normal e senti uma tranquilidade interior. Eu descobri o rosto e vi que novamente estava sozinho.

Eu passei o resto da noite vendo vídeos no celular, esperando a proteção da luz do dia. Assisti os primeiros raios do sol saindo por trás do horizonte com um alívio inexplicável. Eu estava me sentindo um trapo, mandei uma mensagem para o meu gerente avisando que não iria trabalhar porque estava doente. Com a janela aberta deixando o sol tocar no meu rosto eu desmaiei. Horas depois eu acordei me sentindo bem melhor. Peguei meu celular e tinha dezenas de ligações e mensagens. Uma tragédia havia acontecido.

Se você trabalha em um banco ou lugar onde se movimente dinheiro ou coisas de valor, você sabe que há um medo diário de assalto. E foi exatamente nesse dia que um assalto ocorreu naquele banco. Mas isso não é o mais sinistro.

O assaltante que estava recolhendo dinheiro dos caixas deu um tiro no peito de um companheiro de trabalho que morreu na hora. E acontece que ele não trabalhava no caixa, ele estava lá porque eu faltei então ele estava me cobrindo.

É claro que eu não posso explicar o que aconteceu, mas às vezes eu penso como aquela entidade sabia o que ia acontecer e se ela queria salvar minha vida ou destruir a do meu colega.

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